18/08/2016 às 13h20

Participação do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul debatendo sobre a Pastoralidade e Transformação da Cáritas Brasileira

Andressa Gongora - [email protected]
O Encontro Inter-Regional Sul 2016 da Cáritas Brasileira reuniu as entidades membros dos regionais Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul entre os dias 16 e 18 de agosto em Curitiba/PR. 
Na abertura do encontro, dia 16,  aconteceu a acolhida à imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Em seguida, Alessandra Miranda, da colegiada nacional da Cáritas Brasileira, realizou a análise de conjuntura “Pensando o Brasil. O que é ser Cáritas na atual realidade?”.Reflexões pertinentes sobre a pastoralidade da Cáritas, sua missão e o fortalecimento da rede foram feitas durante todo o evento. Estavam na pauta discussões sobre temas como As mudanças climáticas e gestão de riscos; Migrantes e refugiados; Segurança alimentar e nutricional.
Os pontos altos do Inter-Regional Sul foram as mesas de debate, que aprofundaram os textos dos guias metodológicos e suas provocações para o V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira, que será realizado entre 9 e 13 de novembro no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no estado de São Paulo.Segundo o professor Francisco Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), há um importante consenso científico internacional de que as atividades humanas têm contribuído no aquecimento global, criando rupturas ou interferências na natureza e afetando os ciclos dos nutrientes, ecossistemas, nível médio do mar, chuvas e as ondas de calor/frio. “Mudanças climáticas sempre existiram, mas hoje essas alterações são governadas por ações humanas. O homem é o grande responsável. O dano causado é irreversível e teremos de conviver com isso”, alertou o professor. Já Elizete Sant’Anna de Oliveira, que abriu o debate sobre Migração e refugiados, explicou que a imigração para o Brasil sempre foi marcada por desigualdades, racismo e exploração. Ela lembrou que houve políticas seletivas quanto aos primeiros imigrantes que chegaram ao país. “Não temos política migratória. O migrante vem em busca de uma vida melhor e trabalho. Porém, muitas vezes, é visto como bandido. Quando é negro/a ou indígena, é fortemente estigmatizado/a e discriminado/a. O ato de migrar é um ato político. É um ato de denúncia”, ressaltou a assistente social da Cáritas Regional Paraná. Werner Fuchs, pastor da Igreja Evangélica Luterana no Brasil (IECLB), iniciou o painel sobre soberania e segurança alimentar e nutricional fazendo uma dedicatória às larvas, insetos e plantas que, pela mutação genética, resistem aos transgênicos mais que os seres humanos dotados de inteligência. 
Tendo como foco o V Congresso Nacional, no segundo dia do encontro, a irmã Raquel de Fátima Colet e Rodrigo Andrade assessoraram a temática da Pastoralidade, durante a qual os agentes dos três estados do Sul refletiram sobre o método, a missão e a identidade da Cáritas. Irmã Raquel enfatizou que “o projeto do Reino não é uma cartilha sistematizada e entregue a um determinado grupo de pessoas como se este fosse o destinatário único desse projeto. É preciso reconhecer que não somos detentores de Deus. Nós estamos a seu serviço, e pela caridade todas as pessoas que interagem conosco têm lugar nesse projeto. É importante legitimar a caminhada ecumênica da Igreja. Estamos falando e fazendo a mesma coisa de formas diferentes, porém professamos a fé no único Cristo libertador”.
Na manhã do último dia de encontro, os participantes apresentaram a avaliação do Plano Quadrienal 2012-2015, realizada por todas as entidades membros dos três regionais do Sul. A atividade criou um momento muito rico, que evidenciou a diversidade da atuação da Cáritas. João Paulo Couto, do Secretariado Nacional, fez a mediação dos encaminhamentos a partir da sistematização do que os três estados do Sul trouxeram como prioridade para o Congresso.
Em seguida, todos os delegados e delegadas receberam o envio sob as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida.